Tiranossauro Rex
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    O Tiranossauro rex cujo nome tem origem no grego e significa "lagarto tirano rei", foi um dos maiores carnívoros terrestres que já existiu e viveu há aproximadamente entre 67 a 65,5 milhões de anos atrás durante o final do período Cretáceo na América do Norte.
   O Tiranossauro foi um dinossauro terópode, carnívoro bípede, de enormes proporções, chegavam a medir 12,0 metros de comprimento e 5,0 metros de altura e pesavam cerca de 8 toneladas. Possuíam pernas fortes e longas, o suficiente para sustentar o grande corpo e movimentá-lo à velocidades de até 40 km/h. Os pés possuíam enormes garras fortíssimas, sendo que apenas 3 desses dedos eram de apoio e um era pequeno e não tocava o chão. Os braços eram minúsculos, possuindo apenas dois dedos cada um e eram muito pequenos se comparados ao tamanho do animal. Não se sabe ao certo para que o Tiranossauro usava esses braços. Seu crânio era enorme, cilíndrico e muito resistente, com uma circunferência média de um metro. Era constituído por vários filamentos de ossos interligados que eram conectados à coluna vertebral por um osso grosso e longo. Os crânios possuíam várias aberturas, para diminuir o peso, eram amplos na parte traseira e o focinho era curto com narinas grandes. Essa pesada cabeça era sustentada por um pescoço curto em formato de "S", grosso e musculoso. Sua cauda era longa, grossa e musculosa, formada por mais de quarenta vértebras, que servia para contra-balancear o peso do tronco e da enorme cabeça.
    A extremidade da maxila superior tinha forma da letra "U", diferente dos demais terópodes, que possuíam a maxila superior em forma de um "V", mas essa particularidade permitia tivessem uma mordida mais fortes. Seus dentes eram afiados e ligeiramente curvos, de forma a agarrar melhor suas presas. Uma vez que o Tiranossauro abocanhava sua vítima, para escapar de seus dentes curvos era necessário ir mais fundo em sua boca. Possuíam cerca de cinqüenta dentes circulares de até 30 centímetros de comprimento de vários formatos e tamanhos diferentes, que eram constantemente substituídos durante toda a vida. Os dentes superiores e inferiores eram distanciados entre si, permitindo que se encaixassem perfeitamente, resultando em uma melhor mordida. Possuíam visão binocular, que facilitava focar suas vítimas prediletas que eram os hadrossauros e ceratopsídeos.
   Outros Carnívoros terrestres que rivalizavam em tamanho eram o Giganotossauro, o Carcharodontossauro, Mapussauro e o Espinossauro, possivelmente eram mais ágeis e agressivos que o Tiranossauro, pois alguns cientistas acreditam que o Tiranossauro era um dinossauro carniceiro e que roubava carcaças de animais mortos caçados por outros predadores menores, pois suas cavidades olfativas eram extremamente grandes, que lhes permitiam sentir o odor de cadáveres a grandes distâncias, semelhantes aos abutres atuais, os dentes trituradores de ossos seriam mais úteis para devorar uma carcaça inteira com os ossos do que para caçar um animal vivo e sua velocidade máxima que não passaria dos 40 km/h seria muito baixa para um caçador. Entretanto os tiranossauros ainda continuam sendo descritos como caçadores, pois muitas provas sobre caça ativa foram encontradas em fósseis de outras espécies, como um Edmontossauro que tinha marcas de mordida em suas vértebras, provocando assim sua morte e indícios no fóssil de um Tricerátopos que possuía marcas de mordida na parte frontal de seu crânio, indicando uma batalha entre eles.
   Acredita-se que os tiranossauros viviam em grupos familiares similares, disputando violentas batalhas por alimento e para o acasalamento e que faziam seus ninhos em planícies aluviais ou no meio de bosques subtropicais, em territórios repletos de rios e lagos e com abundância de vegetações como cicadáceas e samambaias, também cercado por muitas árvores como coníferas, devido ao formato dessas árvores, que escondiam o ninho e protegiam os filhotes de outros predadores. Habitavam toda a América do Norte, com fósseis tendo sido encontrados desde o estado de Alberta, no Canadá, até o estado de Coahuila, no México. Os tiranossauros rex cresciam rapidamente até atingirem a maturidade sexual aos 19 anos, quando atingiam 90% do tamanho máximo. Cerca de metade dos fósseis de tiranossauros encontrados apresentam idades entre 12 a 14 anos, pois nessa época se envolviam em violentas lutas contra membros de sua espécie pelo direito de acasalar, como ocorre hoje em dia com outros animais. Raramente os tiranossauros passavam dos 30 anos de idade.
   Em 2004, após a descoberta vestígios de penas em estado primitivo em alguns tiranossaurídeos como o Dilong e o Archaeopteryx foi proposta a teoria de que os Tiranossauros rex poderiam possuir penas, entretanto, outras descobertas na Mongólia e no Canadá mostraram vestígios epiteliais de outros tiranossaurídeos apresentando abundância de escamas, sem a presença de penas. A incerteza quanto a presença de penas ainda continua.
   Robert T. Bakker e John Ostrom publicaram artigos afirmando que os dinossauros terrestres seriam animais de sangue quente (Endotérmicos), devido a seu estilo de vida ativo e que um animal de sangue frio não teria energia suficiente para uma vida com esse nível de atividade. A dúvida ainda persiste se tiranossauros e outros os dinossauros, foram animais de sangue frio (Ectotérmicos) ou não, necessitando de maiores estudos para obter a confirmação.
   O Tiranossauro rex foi um dos maiores carnívoros de todos os tempos, sendo o primeiro a ter um fóssil totalmente montado, o "FMNH PR2081", apelidado de "Sue", medindo doze metros de comprimento e cinco metros de altura, possuindo o maior crânio já encontrado, com 1,5 metros de circunferência, medidas que se tornaram parâmetro de comparação para outros espécimes. Essas razões entre outras que o levou a se tornar o mais famoso dos dinossauros e a criar a reputação de grande predador que é principalmente representada nas mídias, tornando-o símbolo de predador supremo e uma referência entre os dinossauros.
   Essa reputação de predador supremo provocou sua aparição de destaque já nos primórdios televisivos, onde em 1925 apareceu no filme The Lost World, na qual um grupo de exploradores encontram uma colônia de dinossauros ainda vivos na Floresta Amazônica e entre eles um Tiranossauro, nesse filme que ocorre a famosa cena de luta entre o Tiranossauro e o Tricerátops, que os marcou para sempre como principais adversários. Em 1933, o Tiranossauro retorna em King Kong, onde ocorre uma batalha entre o gorila gigante e o tiranossauro, ocorrendo novamente na regravação de 2005. Em 1993, ocorre a estreia de maior destaque no filme Jurassic Park, de Steven Spielberg, onde é mostrado como grande vilão durante todo o tempo e que no final acaba salvando as pessoas dos velociraptors. Em 1997 aparece novamente em destaque em Jurassic Park II, sendo levado para a cidade americana de San Diego junto com um filhote, mas durante a viagem de navio ele acorda e quando o navio atraca no porto ele foge e causa uma grande destruição na cidade, até que são enviados de volta à ilha de onde foram retirados. Em 2001 em Jurassic Park III, o tiranossauro perde a luta contra um Espinossauro e o estrelato passa agora a ser da nova espécie em destaque.
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   Existem mais de 30 esqueletos de tiranossauros totalmente remontados, permitindo que esses animais fossem profundamente estudados e que muita informação fosse descoberta. Entre essas descobertas o dimorfismo sexual dos tiranossauros foi um dos bem estudados, verificou-se que haviam fósseis robustos e outros mais delicados, concluindo-se que os Tiranossauros mais robustos eram fêmeas, pois a pélvis dos espécimens robustos mostrava-se mais larga, tendo um chevron reduzido para permitir a passagem dos ovos, tal como acontece nos crocodilos.
   Os primeiros restos fósseis desta espécie foram descobertos em 1874 na cidade Golden, nos Estados Unidos e eram compostos apenas por enormes dentes de um Tiranossauro rex adulto. Em 1890, o pesquisador J. B. Hatcher coletou pedaços do crânio de um Tiranossauro rex adulto no estado de Wyoming, mas achou que pertenciam a um Ornitomimo. Em 1892, o paleontólogo Edward Drinker Cope achou uma vértebra incompleta pertencente a uma espécie desconhecida e chamou essa nova espécie de Manospondylus gigas.
   Em 1900, Barnum Brown, funcionário do Museu Americano de História Natural, encontrou diferentes partes de um tiranossauro, também no Wyoming, mas então pensando ser outra nova espécie, o pesquisador o chamou de Dynamosaurus imperiosus. Em 1915, Henry Fairfield Osbor remontou o primeiro fóssil do animal que ele chamou de Tiranossauro, o exibindo em público em 1917, entretanto devido as más condições do fóssil Manospondylus, não houve como provar totalmente que eles pertenciam a mesma espécie. Alguns anos depois Osborn descobriu um novo fóssil a qual acreditava ser da mesma espécie e ao verificar as semelhanças entre seu fóssil e os outros dois antes descobertos, provou sua teoria de que os três pertenciam a mesma espécie e o exibir publicamente criando o nome Tyrannosaurus rex que foi a partir de então definitivamente adotado. Muitas vezes utiliza-se os apelidos de T. rex ou T-rex para se designar esta espécie.
   Entre 1920 e 1940, dezenas de esqueletos de tiranossauros foram descobertos e remontados. Após essa fase fértil de descobertas, fósseis de tiranossauros tornaram-se raros, porém com o surgimento de técnicas de escavações mais eficientes, vários outros fósseis começaram a ser encontrados. O primeiro T-rex reconstruído após 1980 foi apelidado de "Stan" (BHI 3033 com 65% do esqueleto encontrado) em homenagem ao paleontólogo Stan Sacrison e foi encontrado perto da cidade americana de Buffalo, no estado de Dakota do Sul. As escavações duraram mais de 30 mil horas no ano de 1987 e este fóssil está atualmente em exibição no Museu Black Hills de História Natural, onde foi colocado após uma grande turnê mundial.
   Em 12 de agosto de 1990, Sue Hendrickson descobriu um novo fóssil na cidade de Faith, também na Dakota do Sul, sendo apelidado de "Sue" (FMNH PR2081) em homenagem a sua descobridora. Este é considerado o maior fóssil de Tiranossauro rex encontrado, com mais de 90% do esqueleto recuperado. "Sue" acabou sendo alvo de uma batalha judicial sobre quem era o dono dos restos, e os tribunais decidiram em favor de Maurice Williams, dono da Formação de Hell Creek, território onde os ossos foram encontrados. Williams vendeu o fóssil por 7,6 milhões de dólares para o Museu Field de História Natural, onde ele está em exibição atualmente.
   Estudos realizados indicaram que "Sue" atingiu seu auge no tamanho aos 19 anos de idade e que morreu 9 anos depois vítima de uma mordida na parte superior da cabeça, provavelmente ocorrida durante uma batalha com outro Tiranossauro rex, mas essa hipótese nunca pôde ser confirmada. Mais tarde surgiu a hipótese de que Sue morreu vítima de uma infecção parasitária contraída após a ingestão de carne podre, assim sua garganta inflamou e o animal não pôde mais se alimentar essa hipótese é sustentada pelos traços de vermes fossilizados encontrados nos ossos do pescoço, os mesmos traços encontrados em animais que morrem vítimas de infecção atualmente. Juntamente com "Sue" outros dois pequenos fósseis de Tiranossauro rex foram encontrados, mas o estado dos fósseis era péssimo e eles não puderam ser remontados.
   Em 2000, o pesquisador Jack Horner encontrou cinco fósseis de tiranossauros na Reserva Fort Peck, no estado americano de Montana, o maior deles foi apelidado de "C-rex" e este é apenas 10% menor que "Sue". Em 2001, outro fóssil de um Tiranossauro rex (50% completo) foi encontrado em Montana por um grupo de pesquisadores do Museu Burpee de História Natural da cidade americana de Rockford, o mesmo foi apelidado de "Jane" e representa um exemplar jovem que está em exibição no Museu Burpee de Rockford. Além destes outros foram e continuam sendo descobertos.
   Em 1955, o paleontólogo Evgeny Maleev encontrou um fóssil na Mongólia que foi considerado um nova espécie de tiranossauro, diferente do Tyrannosaurus rex e batizou essa nova espécie de Tyrannosaurus bataar. O pesquisador Tom Holtz divulgou diversos trabalhos apontando diferenças entre fósseis do T. rex e do T. bataar. Atualmente a espécie foi reclassificada como Tarbosaurus bataar. Outras espécies que já foram um dia classificadas como Tyrannosaurus foram Aublysodon, Albertosaurus e Nanotyrannus, porém atualmente são considerados gêneros a parte.

Dados do Dinossauro:
Nome: Tiranossauro Rex
Nome científico: Tyrannosaurus rex
Época: Cretáceo
Local onde viveu: América do Norte
Peso: Cerca de 8,0 toneladas
Tamanho: 12,0 metros de comprimento e 5,0 metros de altura
Alimentação: Carnívoro


Classificação científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Superordem: Dinosauria
Ordem: Saurischia
Subordem: Theropoda
Superfamília: Tyrannosauroidea
Família: Tyrannosauridae
Subfamília: Tyrannosaurinae
Tribo: Tyrannosaurini
Gênero: Tyrannosaurus
Espécie: Tyrannosaurus rex (Osborn, 1905)

Sinonimos:
T. amplus (Marsh, 1892) originalmente chamada de Aublysodon, aceito como Aublysodon amplus.
T. imperiosus (Osborn, 1905), originalmente Dynamosaurus, aceito como Tyrannosaurus rex.
T. lancensis (Gilmore, 1946), originalmente Gorgosaurus, aceito como um possível Tyrannosaurus rex.
T. bataar (Maleev, 1955), aceito como Tarbosaurus bataar.
T. efremovi (Maleev, 1955), aceito como possível Tarbosaurus bataar.
T. lancinator (Maleev, 1955), originalmente Gorgosaurus, aceito como um possível Tarbosaurus bataar.
T. novojilovi (Maleev, 1955), originalmente Gorgosaurus, possível Tarbosaurus bataar.
T. torosus (D. A. Russell, 1970), originalmente Daspletosaurus, considerado parte da família dos Daspletossauros.
T. lanpingensis (Yeh, 1975), possível Tarbosaurus bataar.
T. turpanensis (Zhai, Zheng & Tong, 1978), possível Tarbosaurus bataar.
T. luanchuanensis (Dong, 1979), hoje aceito como membro da família do Tarbosaurus luanchuanensis.
T. megagracilis (Paul, 1988), originalmente Albertosaurus, possível Tyrannosaurus rex.
T. gigantus (1990), aceito como um Tyrannosaurus rex.
T. stanwinstonorum (Pickering, 1995), aceito como um Tyrannosaurus rex.

Paleoartistas:
- Masato Hattori
- Dinoraul
- Vlad Konstantinov

Referências:
- Breithaupt, Brent H.; Southwell, Elizabeth H.; Matthews, Neffra A. (2005-10-18). "In Celebration of 100 years of Tyrannosaurus rex: Manospondylus gigas, Ornithomimus grandis, and Dynamosaurus imperiosus, the Earliest Discoveries of Tyrannosaurus Rex in the West". Abstracts with Programs. 2005 Salt Lake City Annual Meeting 37 (7). Geological Society of America. p. 406.
- Currie, PJ; Huru, JH; Sabath, K (2003). "Skull structure and evolution in tyrannosaurid dinosaurs" (PDF). Acta Palaeontologica Polonica 48 (2): 227–234.
- Erickson, Gregory M., GM; Makovicky, Peter J.; Currie, Philip J.; Norell, Mark A.; Yerby, Scott A.; & Brochu, Christopher A. (2004). "Gigantism and comparative life-history parameters of tyrannosaurid dinosaurs". Nature 430 (7001).
- Gregory S. Paul. Tiranossauro Rex - O Rei Tirânico (A Vida do Passado). [S.l.]: Bloomington: Indiana University Press, 2008. Capítulo: "Estilo de vida e hábitos extremos dos gigantes predadores do Cretáceo na América do Norte", pg 316. , 0-253-35087-5.
- Henry Fairfield Osborn. Tiranossauros e outros dinossauros carnívoros do Cretáceo. [S.l.]: Bulletin of the AMNH, 1905. Capítulo: 21. , 259–265 p. 2246-1464.
- Houston DC. Pode o tiranossauro ter sido mais ladrão do que predador? (em inglês). [S.l.]: The Royal Society Press, 2003. Capítulo: "Procedimentos", pg 731-733. , 0-169-1292.
- Hutchinson J.R., Bates K.T., Molnar J., Allen V, Makovicky P.J. (2011). "A Computational Analysis of Limb and Body Dimensions in Tyrannosaurus rex with Implications for Locomotion, Ontogeny, and Growth".
- En. Niall, J. Mateer e Pei-ji Chen. Tiranossáuridos da Ásia e América do Norte (em inglês). [S.l.]: Ocean Press, 1988. Capítulo: "Aspectos da Geologia do Cretáceo", pg 105. , 9787502714635.
- Paleobiologia- Estimando a massa de animais extintos através da matemática e do silício (em inglês). GeoScienceWorld.org.
- "Sue's vital statistics". Sue at the Field Museum. Field Museum of Natural History. Archived from the original on 2007-09-29.
- Tiranossaurídeos Basais da China (em inglês). Nature.com (13 de julho de 2004).