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Mariliasuchus

   O Mariliasuchus, pequeno crocodilo notossúquio encontrado em rochas sedimentares pertencentes à Formação Adamantina viveu há aproximadamente 70 milhões de anos atrás durante o período Cretáceo Superior na região de Marília-SP, é um dos mais completos crocodilos fósseis da América do Sul. Os primeiros restos fossilizados dessa espécie foram escavados em barrancos rochosos próximos ao vale do Rio do Peixe, região sul de Marília, em 1995, pelo pesquisador William Nava. Desde então, foram coletados diversos crânios e esqueletos parcialmente articulados desse crocodilo, fato que permitiu a obtenção de muitos dados acerca da morfologia e modo de vida do animal. Mariliasuchus tinha crânio alto, curto, órbitas laterais, narinas frontais, dentição curta e diferenciada, bem como membros longos e de constituição robusta, indicativos de um animal terrestre. Os adultos não passavam de 1,20 metros de comprimento e cerca de 30 cm de altura. Os fósseis coletados compreendem todas as fases ontogenéticas de M. amarali, desde ninhadas de ovos fossilizados, restos ósseos de filhotes até ossos de animais adultos, que faz supor ter sido a região de Marília, há milhões de anos, um nicho ecológico desse grupo de crocodilos. Esse fato é corroborado também pela descoberta de coprólitos (excrementos fossilizados) achados próximos aos restos esqueletais e ninhos. Os ovos eram depositados às margens de lagoas e rios calmos, entretanto, eventos como repentinas deposições de lama ou areia soterravam esses icnofósseis.
   Como possuía dentes incisiformes, caniniformes e molariformes, acredita-se que Mariliasuchus se alimentava de peixes, anfíbios (semelhantes a sapos - muitos fósseis desses pequenos vertebrados foram achados), moluscos, carcaças de indivíduos da própria espécie, e provavelmente vegetais. A aridez do clima muitas vezes fazia com que os animais se enterrassem no fundo lamacento das lagoas existentes naquela época, e assim, muitos indivíduos acabaram se fossilizando na posição que estavam, e seu esqueleto praticamente conservou todos os ossos.
   Crocodilos aparentados à Mariliasuchus já haviam sido encontrados também no Ceará e Maranhão além de outros países, como Argentina e Uruguai, em Malawui e Madagascar na África e provavelmente uma espécie na China.
   Nas imagens acima temos reconstruções do Mariliasuchus, sendo as duas últimas as em exibição no Museu de Paleontologia de Marília, a seguinte foto de uma ninhada de ovos fossilizados de Mariliasuchus que é o primeiro registro fóssil desse tipo encontrado no Brasil e a foto seguinte são os restos fósseis do crânio e ossos, na forma como foram encontrados.
   Na última imagem vemos Adamantinasuchus a esquerda, Mariliasuchus a direita e saurópodes ao fundo, reconstruindo o ambiente da região na época. A reconstrução é do paleoartista Deverson da Silva, do Museu de Monte Alto, em São Paulo.

Dados do Animal:
Nome: Mariliasuchus
Nome Científico: Mariliasuchus amarali
Época: Cretáceo
Local onde viveu: Brasil
Peso: Cerca de 20 quilos
Tamanho: 1,2 metros de comprimento
Alimentação: Onívora


Classificação Científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Crocodylomorpha
Família: Notossuchia
Gênero: Mariliasuchus
Espécie: Mariliasuchus amarali Carvalho & Bertini, 1999

Referências:
- Pedro Henrique Nobre; Ismar de Souza Carvalho; Felipe Mesquita de Vasconcellos & Willian Roberto Nava. (2007). "Mariliasuchus robustus, a new Crocodylomorpha (Mesoeucrocodylia) from the Bauru Basin, Brazil". Anuário do Instituto de Geociências 30 (1): 38–49. ISSN 0101-9759.




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