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Homo sapiens

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       O Homo sapiens cujo nome Homo significa "humano" e sapiens que significa "saber", pois "eles já sabiam", surgiu há aproximadamente 200 a 150 mil anos atrás, no leste da África, como resultado de adaptações do Homo heidelbergensis ao meio ambiente em transição em que viviam. Desde então o Homo sapiens veio evoluindo e espalhando-se por toda África, substituindo as populações de H. heidelbergensis.
Para conhecer melhor as outras espécies de hominídeos conhecidas pela ciência, visite a área Evolução Humana.

      As principais evoluções presentes no Homo sapiens estão no crânio, sendo um dos maiores entre os hominídeos que já existiu, com capacidade média aproximada de 1300 centímetros cúbicos, que mesmo sendo pouco menor do que os dos Homo neanderthalensis, eram maior em relação ao tamanho do corpo. O crânio em si é muito mais alto do que as outras espécies de hominídeos, as laterais do crânio são quase verticais, porém não é reforçado como nas outras espécies, estão ausentes as grandes arcadas superciliares e proeminências ósseas vistas em H. neanderthalensis e H. heidelbergensis. Os primeiros H. sapiens mantinham uma aparência bastante robusta, sendo as arcadas superciliares de H. sapiens primitivos bastante grandes, mas diferiam na forma dos de H. neanderthalensis e H. heidelbergensis. A face ficava totalmente abaixo da caixa craniana. Os dentes e as mandíbulas eram menores do que as das espécies anteriores de hominídeos e a mandíbula tinha uma proeminência que nunca foi vista em qualquer outra espécie de hominídeo, o queixo.

      O esqueleto é levemente constituído em relação à espécies anteriores e não tem as adaptações a ambientes frios encontrados em H. neanderthalensis, pois evoluiu em ambientes tropicais africanos antes de migrar para o resto do globo. Nestes ambientes tropicais, as proporções do corpo alto e magro eram favoráveis porque maximizava a área superficial, melhorando a dissipação de calor, com a mesma massa corporal. As características mais intrigantes encontrados em H. sapiens eram os traços comportamentais, essas características representam estratégias que não são vistas em qualquer outra espécie de hominídeo, entre elas estão estratégias de caça que lhes permitia caçar animais de pequeno, médio e grande porte, bem como peixes e mariscos. As ferramentas que eram confeccionadas pelo H. sapiens refletem essa variedade, entre elas então inclusas lâminas (um artefato raramente visto em conjuntos líticos associados com o H. neanderthalensis), ferramentas feitas de ossos e ferramentas compostas por outras ferramentas.

      O H. sapiens foi o pioneiro nas artes, iniciando com as pinturas rupestres, estátuas, conchas trabalhadas, trabalhos em ocre, pingentes e estatuetas. Esse pioneirismo sugere que o H. sapiens teve uma maior capacidade de pensamento abstrato, simbólico. Com base na anatomia da parte superior da coluna vertebral e estruturas associadas, também é altamente provável que o H. sapiens tenho sido a primeira espécie de hominídeo a ser capaz de utilizar a linguagem falada. Esses comportamentos tem início na África há cerca de 150 mil anos atrás, evoluindo lentamente com o passar dos anos, já na Europa eles aparecem rapidamente, sugerindo que ao chegarem lá, já os possuíam.

       A Invasão Humana tem inicio entre 160 e 135 mil anos atras, quando quatro grupos de caçadores-coletores viajaram da região central da África (Região dos atuais Congo, Quênia, Etiópia, Sudão ),para o extremo sul africano (região da África do Sul), um segundo para o sudoeste na Bacia do Congo, um terceiro para oeste na Costa do Marfim e um quarto para a região do estreito Bab el Mandeb ("Portão das Lágrimas" em árabe, que separa a Península Arábica da África), transportando a primeira geração de DNA mitocondrial (mtDNA) chamados de gene tipo L1. Essas regiões eram anteriormente ocupadas por H. heidelbergensis, que não resistiram a competição com os H. sapiens.

      Há 125 mil anos atrás, o quarto grupo seguiu para o norte, atravessando uma parte verde do Saara, acompanhando o Nilo até o delta e entrou na Ásia pela Península Arábica, ocorrendo assim a primeira saída do Homo sapiens da África. Porém uma mudança climática há cerca de 90 mil anos atras atingiu esse quarto grupo na região fora da África, onde um resfriamento mundial transformou o Oriente médio e o norte da África em desertos, secos ao extremo. O Oriente médio passou então a ser reocupada pelos H. neanderthalensis.

      O resfriamento global trouxe consigo um aumento na quantidade de geleiras e consequentemente uma redução nos níveis dos oceanos, que segundo estudos realizados na Groenlândia, chegaram em períodos de pico de resfriamento a reduzir em 80 metros o níveis atuais dos oceanos. Com uma população de Homo sapiens vivendo próximo ao estreito Bab el Mandeb, essa redução nos níveis dos oceanos, proporcionou imensa facilidade para se atravessar o estreito, que hoje possuí uma largura de 25 km, mas que a 85 mil anos atras estaria bem menor e foi atravessado por H. sapiens levando consigo geração de DNA mitocondrial (mtDNA) chamados de gene tipo L3. Os tipos de gene L1 foram juntamente com o primeiro grupo que migrou para o sul da África e com os que se mantiveram na região central da África, se diversificando em vários subtipos L1a, L1b, L1c, L1d, L1e e L1f, o segundo grupo que ocupou a região oeste da África deram origem ao tipo de gene L2 e se diversificaram em L2a, L2b, L2c, L2d e L2e.

      Entre 85 a 75 mil anos, os H. sapiens que chegaram na Ásia atravessando o estreito Bab el Mandeb, migraram acompanhando a costa da Península Arábica, atravessaram o Golfo de Oman chegando ao Iran, essas regiões já se encontravam habitadas por outras espécies de hominídeos, os H. heidelbergensis e Homo erectus, que com certeza não se deixaram extinguir sem confrontos com os H. sapiens. Acredita-se que esses H. sapiens carregavam consigo o haplogrupo N e durante toda essas migrações, partes da população permaneciam ocupando as regiões ao longo do caminho, enquanto outras partes continuavam a migrar. No final desse período, migrando pela costa, os H. sapiens chegaram a Índia.

      Adaptando-se a esses novos meios ao longo do tempo, esses H. sapiens sofreram pequenas mutações, dando origem ao haplogrupo R, que se espalhou por todo o sul asiático. Essa migração inicial continuou indo pelo litoral até a Borneo na Oceania, quando então mudaram de rumo indo para o norte, onde novamente passaram por adaptações ao meio originando o haplogrupo B (atual etnia oriental) chegando ao sul da China.

      Há 74 mil anos atrás o Monte do Lago Toba sofreu uma super-erupção vulcânica (Teoria da catástrofe de Toba), as cinzas vulcânicas foram lançadas a mais de 3 mil km de distâncias, chegando até a Índia e Paquistão, essa erupção é considerada a mais poderosa conhecida ocorrida nos últimos 2 milhões de anos, provocando extinções em massa em escala planetária, proporcionando um inverno nuclear que duraria cerca de 6 anos e provocando a entrada do planeta em mais uma era glacial, que duraria cerca de 1000 anos. Estima-se que a população mundial de H. sapiens se reduziu a menos de 10 mil pessoas e as que habitavam o sul da Ásia foram quase completamente extintas. As populações de H. heidelbergensis e H. erectus também sofreram com essa super-erupção, ficando a beira da extinção.

      Após esse período (entre 74 a 65 mil anos atras) a população mundial se recuperou novamente, grupos com haplogrupos R sobreviventes na Oceania retornaram pela costa para o sul Asiático, repovoando a Índia, outros grupos seguiram cruzando os mares internos da Oceania com auxilio de barcos migrando a partir do Timor para a Austrália e de Borneo para Nova Guiné. Os haplogrupos B que habitavam o sul da China continuaram a migração pelo litoral até o norte da China.

      No período entre 65 e 52 mil anos atras o clima esquentou consideravelmente possibilitando a ocupação de territórios mais ao norte, onde as temperaturas eram menores. Os haplogrupo N que viviam no Oriente Médio migraram em direção a Europa e os haplogrupos R avançaram por toda a Austrália e na região da Índia em direção ao interior do continente. Essa recuperação da população de H. sapiens provocou a extinção da espécie de hominídeo H. heidelbergensis e um intenso declínio nas populações de H. erectus.

      No período entre 52 a 45 mil anos atras ocorre a invasão da Europa, através da Turquia e Bulgária, com grupos de H. sapiens, recebendo então a denominação de Homem de Cro-Magnon, chegando a migrar até ao Oceano Atlântico (através dos da França, Espanha e Portugal), espalhando consigo pela Europa a cultura Aurignaciana. Nesse período a Europa era habitada pela espécie H. neanderthalensis, essa convivência inicial pareceu ser pacífica, com as espécies convivendo de forma harmônica e benéfica para ambas, com os H. neanderthalensis demonstrando grandes saltos evolutivos na confecção de ferramentas e melhora no estilo de vida, desenvolvidos com a observação e imitação dos H. sapiens.

      Entre 45 e 40 mil anos atras, os H. sapiens que estavam ainda no Oriente Médio retornam a África passando pelo Egito e ocupando o norte africano, região acima do deserto do Saara. Parte dessa população do Oriente Médio juntamente com as que habitavam o sul asiático (Índia) migraram para o norte, chegando até o sul da Russia. Os haplogrupos B começaram a ocupar os territórios do leste asiático e Ilhas da Oceania (Coréia, Vietnam, Japão, Malásia, Indonésia, Polinésia e Ilhas Salomão), outra parcela dessa população migrou para o interior do continente (Ásia Central, região da Indo-China) se encontrando e se misturando com populações do sul asiático, provocando mutações em seus gens.

      Entre 45 e 25 mil anos, ocorre a migração de grupos europeus e que estavam no sul da Russia (Ásia Central) para o extremo norte da Russia, esse mesmo grupo que se encontrava na Ásia Central, parte dele migrou também para o extremo leste da Russia juntamente com populações que vieram do nordeste da China (Haplogrupo B) e populações da Ásia Central (Indo-China), chegando até o o Estreito de Bering (que possuí hoje cerca de 85 km de largura e profundidade de 30 a 50 m, com as Ilhas Diomedes situadas bem no meio do estreito, porém em períodos de resfriamento global, as chamadas Eras Glaciais esse estreito se transformava em uma ponte de terra entre a Sibéria e o Alasca interligando os continentes Ásia e América do Norte).

      Nesse período a densidade de hominídeos aumentou na Europa, reduzindo assim a oferta de alimentos, a convivência começou a se tornar difícil, iniciando uma série de conflitos entre as espécies H. neanderthalensis e H. sapiens, que culminaram na extinção dos Neandertais há 27 mil anos atrás. Existem teorias de que podem ter ocorrido cruzamentos entre as espécies H. sapiens e H. neanderthalensis, permanecendo ainda hoje alguns genes Neandertais em nosso DNA. Estudo de sequenciamento genético no H. neanderthalensis estimam uma taxa de intercruzamento de 1 a 4 % entre essas espécies. Esses intercruzamentos podem ter auxiliado no processo de extinção dessa espécie, provocando a absorção dos genes da espécie pelos H. sapiens que eram mais numerosos.

      Ente 25 e 19 mil anos atras, durante o auge da Glaciação do Wisconsin, alguns grupos de homo sapiens cruzaram a ponte de terra sobre o Estreito de Bering, um grupo portador do gene Haplogrupo B acompanhou a costa marítima do Golfo do Alasca, chegando até a divisa do Canadá com os Estados Unidos, outros grupos compostos pelos Haplogrupos A,C e D, migraram pelo interior do continente chegando próximo da região Washington (capital dos EUA). No final desse período as temperaturas globais caíram bastante, tornando muito difícil sobreviver acima do paralelo 55° norte, fato este que isolou os grupos que haviam atravessado a ponte de terra no Estreito de Bering e reduziu o ritmo das migrações.

      Entre 19 e 15 mil anos atras, os Haplogrupos A, C e D continuaram migrando para o sul, para locais de maiores temperaturas, atravessaram a América Central, chegando até ao norte da América do Sul pelo litoral Atlântico, encontrando dificuldades na marcha para o sul ao chegarem ao Brasil e encontrarem o Rio Amazonas. Essas dificuldades climáticas juntamente com o ritmo acelerado de expansão dos H. sapiens, acabaram por provocar a extinção de diversas espécies animais da Megafauna das Américas. Outros grupos que conseguiram manter o ritmo migratório foram os polinésios, chegando a atingir as Ilhas Manus e Filipinas na Oceania.

      Entre 15 e 12 mil anos atras, o clima global começou a esquentar e dessa forma, os H. sapiens reiniciaram as grandes migrações, os Haplogrupos A, C e D que haviam chegado as costas Brasileiras, se dividiram em diversos subgrupos, uns acompanhando o fluxo do Rio Amazonas ao interior do continente e outros atravessando o grande rio e seguindo o litoral Atlântico por toda a costa Brasileira até chegarem no extremo sul do continente Sul Americano, na Terra do Fogo. Em paralelo o Haplogrupo B (descendentes dos orientais) que estavam sobrevivendo próximos ao Golfo do Alaska na fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos também reiniciaram seu processo migratório indo na direção sul, porém permaneceram seguindo o litoral Pacífico, atravessando a América Central e chegando até o Chile. Permanecendo isolados geograficamente dos demais grupos sul americanos devido a presença da Cordilheira dos Andes. Nesse período também novas migrações da Ásia para há América do Norte começaram a ocorrer. Nesse período temos o aparecimento de culturas destacadas como a de Clóvis no Novo México, Taima na costa oeste da Venezuela, Monte Verde no Chile e Luzia no Brasil.

      Há 13 mil anos atrás o H. sapiens chega a Ilha de Flores na Indonésia, encontrando a última espécie de hominídeo sobrevivente conhecida no planeta, o pequenino Homo floresiensis, descendente dos primeiros H. erectus que chegaram na Oceania. Iniciou-se então o processo de extinção dessa espécie, que ocorreu de forma rápida devido a pequena população restrita a essa ilha.

      Entre 12 e 8 mil anos a.c., ocorrem diversas migrações para o interior da América do Norte, para o extremo norte da Europa, Eurásia e da Ásia e uma ocupação completa do norte da África (região ao norte do deserto do Saara). No final desse período, começou a ser praticada em diversos locais do mundo a Agricultura, que garantiu para os esses povos maior quantidade de alimento, maior expectativa de vida, aumento populacional, fim do modo de vida nômade, formação de aldeias e maior disponibilidade de tempo. Levando ao desenvolvimento da pecuária, da cerâmica, da tecelagem e de religiões.

      As migrações mais recentes foram as dos povos polinésios, que chegaram nas Ilhas Palau a cerca de 4 mil anos a.c., nas Ilhas Marianas a cerca de 3500 anos a.c., nas Ilhas Samoa, Fiji, Tonga, Vanuatu e Nova Caledônia a cerca de 3000 anos a.c., Ilhas Hiva ou Marquesas próximo do ano 150 d.c., nas Ilhas do Havaí entre 500 a 800 d.c. e na Ilha de Páscoa por volta do ano 1000 d.c. Nesse mesmo período em diversos locais do Planeta as civilizações continuaram evoluindo, as aldeias se transformaram em cidades, iniciaram-se as grandes construções e a formação de impérios, culminando no surgimento da escrita e da História. Após esse processo evolutivo, essa espécie passou a ser classificada como Homo sapiens sapiens, pois "O homem já tinha consciência de que já sabia".


Dados do Primata:
Nome: Homem
Nome Científico: Homo sapiens sapiens
Época: Holoceno
Local onde vive: Todo o Planeta Terra e fora dele também
Peso: Cerca de 70 quilos
Tamanho: 1,7 metros de altura
Alimentação: Onívora


Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Superfamília: Hominoidea
Família: Hominidae
Subfamília: Homininae
Gênero: Homo
Espécie: H. sapiens, Linnaeus, 1758


Bibliografia consultada:
- http://www.becominghuman.org/node/human-lineage-through-time
- http://www.bradshawfoundation.com
- Programa da Origem Humana do Instituto Smithsoniano, http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/homo-sapiens, 2014.