O Homo neanderthalensis cujo nome lembra o local onde foi
encontrado, viveu há aproximadamente 300 a 29 mil anos atrás durante o Pleistoceno na atual Europa
e Ásia, descendendo possivelmente dos Homo heidelbergensis que se adaptaram ao clima frio da Europa.
Alguns pesquisadores consideram os homens de Neanderthal um subespécie do Homem atual, utilizando então
a nomenclatura Homo sapiens neanderthalensis, porém recentes evidências de estudos com DNA mitocondrial
indicaram que os neandertais "não pertencem à linhagem humana", sendo então melhor classificados como
Homo neanderthalensis.
A primeira descoberta de partes de um esqueleto de Neandertal ocorreram na
pedreira de Forbes, em Gibraltar, no ano de 1848, sendo esta descoberta anterior a "original" que deu nome
a espécie, que ocorreu em uma gruta chamada de Feldhofer Grotte, no flanco do vale do rio Düssel, afluente do
rio Reno, em agosto de 1856, três anos antes da publicação de "A Origem das Espécies" de Charles Darwin, no
pequeno Vale de Neander (em alemão, Neandertal, que deu nome a espécie) foi assim chamado por causa de Joachim
Neander, compositor e pastor luterano do século XVII, e dispõe-se entre as cidades de Erkrath e Mettmann, por
sua vez situadas entre Düsseldorf e Wuppertal, na Alemanha. O fóssil humano, não associado nem a fauna nem a
instrumentos, foi descoberto por operários durante a exploração de uma pedreira de calcário, numa pequena gruta.
A descoberta chamada de "Neandertal 1", consistia em uma calota craniana,
dois fêmures, os três ossos do braço direito e dois do braço esquerdo, parte do ilíaco esquerdo e fragmentos
de uma omoplata e costelas, que foram identificados pelos trabalhadores que os recolheram como sendo restos de
ursos. Os trabalhadores entregaram o material recolhido ao naturalista amador Johann Carl Fuhlrott, professor em
Elberfeld. Fuhlrott, impressionado pelo crânio baixo e espesso, pelas arcadas supraciliares proeminentes e membros
arqueados e curtos, chegou à conclusão de que deveriam ter pertencido a um ser humano muito primitivo. Levou os
fósseis ao anatomista Hermann Schaaffhausen e, em 1857, a descoberta foi anunciada por ambos. Em 1858, Schaaffhausen
descrevia-o como tendo pertencido "às raças humanas mais antigas", que datou em cerca de alguns milénios antes, o
que viria a criar uma intensa polémica, já que a Teoria da Evolução ainda estava longe de ser maioritária entre
os corpos académicos. Desde a primeira descoberta, encontraram-se vestígios de cerca de 500 indivíduos,
H. neanderthalensis compostos praticamente de apenas ossos, alguns dos quais muito incompletos. O termo
"homem-de-neandertal" foi criado em 1863 pelo anatomista irlandês William King.
Seu cérebro era de tamanho similar ao nosso, sendo as vezes
até maior, variando em torno de 1200 a 1700 centímetros cúbicos, sua garganta era projetada para a
fala, eles possuíam uma linguagem própria, viviam em grupos familiares formados de 8 à 25 pessoas no
máximo, seu corpo era mais baixo, mais forte e mais atarracado que o nosso, os narizes eram curtos,
sendo mais largos e volumosos ( bem adaptado ao clima frio em que viviam), eram inteligentes, sua
população era algo em torno 100 mil pessoas e sua alimentação era constituída 85% de carne. Os Homo
neanderthalensis tinham uma vida agitada e cheia de riscos, sua caça se baseava no combate corpo a
corpo, metade de suas crianças não chegava aos 12 anos e 4 a cada 5 homens não chegava a 40 anos,
as mães neandertais amamentavam seus filhos até 5 anos de idade. Moravam em cavernas que freqüentemente
continham lareiras rusticas para auxiliar no aquecimento, também utilizavam peles de animais para se
proteger do frio. Estudos recentes revelaram que alguns individuos deveriam possuir pele branca e
cabelos ruivos, não possuíam queixo, tinham uma testa baixa quase ausente, possuíam dedos grandes e
volumosos, a caixa torácica também era bem volumosa, tinha forma diferente da nossa na pélvis e nos
ossos do labirinto no ouvido, ossos da coxa robustos e arqueados. As mulheres eram também robustas,
podendo ser mais robustas ainda que os homens.
Embora tenham enterrado a maioria dos seus mortos, os funerais dos
neandertais eram menos elaborados que os dos H. sapiens, realizavam um conjunto sofisticado de tarefas
normalmente associados apenas aos humanos, como a construção de abrigos complexos, o controle do fogo
e a remoção da pele dos animais. Particularmente intrigante é um fêmur de urso encontrado em uma
escavação com quatro furos numa escala diatônica feitos deliberadamente, tornando-o similar a uma flauta,
que foi encontrada na Eslovênia em 1995 próximo a uma fogueira do período musteriense usada pelos
neandertais, mas seu significado ainda é controverso.
Possuíam basicamente 6 tipos de ferramentas avançadas denominadas
de período musteriense, eram elas raspadeiras (para confeccionar vestimentas), machadinhas, facas (que
também eram usadas como pontas de lanças), laminas (que eram mais afiadas que bisturis cirúrgicos) e
lanças (feitas com galhos). Não existem nenhuma evidências de artefatos associados com costura, como
agulhas, nas peles encontradas. Após contato com o Homo sapiens, o H. neanderthalensis teria desenvolvido
uma cultura material mais evoluída a nível da tecnologia de entalhe da pedra, designada de chatelperronense,
caracterizada pelo confecção de peças menores e mais manuseáveis. Não foram encontrados vestígios de armas
de arremessos nessa espécie, ficando estas restritas aos H. sapiens.
Há aproximadamente 35 mil anos atrás o Homo sapiens chegou a Europa vindo
da Ásia, no começo havia uma coexistência pacífica até benéfica para os Homens Neandertais, que estavam
aprendendo com o Homo sapiens, suas ferramentas estavam pela primeira vez sofrendo bruscas modificações, os
Homens Neandertais estavam fazendo ferramentas feitas de ossos, chifres e dentes, começaram até a fabricar
adornos para vestimentas (tudo isso copiando o Homo sapiens), porém muitas dúvidas existem quanto à forma como
tudo decorreu, essa coexistência em locais como no sul da Península Ibérica e na Dalmácia, devido a baixa densidade
populacional da época permitiu que os dois não estabelecessem contacto direto frequentemente, existindo uma
segregação a nível social que impedisse maiores aproximações e a hibridização. Entretanto, um fóssil de um
menino de quatro anos conhecido como o "Menino de Lapedo" foi descoberto, no Vale do Lapedo, em Portugal, pode
ser a prova a ligação e cruzamento do homem moderno com o "Homo sapiens neanderthalensis". Com o tempo a coisa
começou a mudar, mais e mais Homo sapiens chegavam a Europa e isso começou a gerar conflitos e os Homo sapiens
tinham armas mais sofisticadas que os Homens de Neandertal, tem-se inicio então o processo de extinção dos
Homens Neandertais, que há aproximadamente 27 mil anos atrás entraram em extinção.
Não se sabe ao certo como essa extinção pode ter ocorrido, existindo várias
hipóteses tentando explicar, um delas baseia-se na baixa mobilidade das suas populações, atestada pela reduzida
área geográfica onde se estabeleceram, bem como pela sua constituição óssea, de secção circular, adaptada ao
esforço mas pouco adequada a uma locomoção ágil, como acontece no caso do "Homo sapiens" com ossos de secção
oval. Esta reduzida mobilidade teria mantido as populações num certo estado de inércia devido à falta de estímulos
proporcionados por um nicho ecológico que garantia as necessidades básicas de sobrevivência, sem grandes
alterações climáticas, outras toerias se referem a falta de variedade genética que teria resultado da consanguinidade,
devido a um crescente isolamento social e comunitário, talvez como reação a contactos hostis com o homem moderno,
existindo até teorias que falam sobre o tempo de gestação ser maior no caso dos neandertais, talvez 12 meses, o que
explicaria uma maior dificuldade em reproduzir-se.
Dados do Primata: Nome: Homem de Neanderthal Nome Científico:Homo neanderthalensis Época: Pleistoceno Local onde vive: Europa e Oriente Médio Peso: Cerca de 80 quilos Tamanho: 1,6 metros de altura Alimentação: Onívora
Reino: Animalia Filo: Chordata Classe: Mammalia Ordem: Primates Subordem: Haplorrhini Superfamília: Hominoidea Família: Hominidae Subfamília: Homininae Género: Homo Espécie: H. neanderthalensis, King, 1864
Bibliografia consultada:
- http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/homo-neanderthalensis
- http://www.becominghuman.org/node/human-lineage-through-time
Paleoilustrador:
- John Gurche - Reconstruction based on Shanidar 1 for the Human Origins Program, NMNH.