Homo erectus

Homo erectus - AVPH Homo erectus - AVPH
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      O Homo erectus cujo o nome significa "homem ereto", viveu há aproximadamente 1,8 milhões a 50.000 anos atrás durante o Pleistoceno, descobriram-se fósseis do H. erectus desde a África (local onde acredita-se que apareceu primeiro porém a nomenclatura atual o classifica como Homo ergaster), Ásia, Europa e até na Indonésia e na Oceania. Possuíam a altura de um homem moderno, os homens mediam cerca de 1,70 metros e pesavam cerca de 65 quilogramas e as mulheres mediam cerca de 1,60 metros de altura e pesavam cerca de 55 quilogramas e seu volume craniano variava entre 750 e 1250 cm³.
      Apesar de muitos aspectos da organização social serem já herdados do H. ergaster, o H. erectus desenvolveu ainda mais estas caraterísticas. A sua sociedade baseava-se em pequenas comunidades, composta de abrigos de pedra pequenos e simples, porém os mais sofisticados que do planeta. A guarda do grupo era feita com fogueiras, para se protegerem dos animais selvagens. A divisão de tarefas era baseada em talhadores (normalmente pessoas velhas já sem capacidade para caçar e crianças) que realizavam as tarefas mais simples, organizando coisas e confeccionando utensílios de madeira, pedras e ossos, machados e lanças, os caçadores (os que estavam no auge da forma física) responsáveis por caçar animais, pescar e combater possíveis ameaças e as mulheres para tratar das crianças e fazer a coleta de frutos, folhas e raízes. Essas ferramentas utilizadas são chamadas de Acheulean, que consiste basicamente de machadinhas e cutelo, além de outros tipos de ferramentas. As machadinhas são menos abundante em locais no leste da Ásia, devido as características da região.
       O uso habilidoso do fogo distinguiu o H. erectus de todas as espécies que haviam surgido antes, ossos carbonizados de animais foram encontrados em sítios arqueológicos em muitos lugares. Essa espécie foi tão bem sucedida que só foi extinta provavelmente pelo próprio Homo sapiens ou humano atual há cerca de 50 mil anos atrás, tais como as populações do rio Bengawan Solo, em Java.
      O mais antigo registro do H. erectus foi encontrado pelo holandês Eugéne Dubois (1858-1940), numa margem do rio Bengawan Solo em Trinil, região central de Java. Foram encontrados restos fossilizados também no Lago Turkana e Desfiladeiro Olduvai na África (reclassificados como H. ergaster), em Geórgia na Europa, em Sangiran e Trinil na Indonésia e em Shaanxi na China.
      A mandíbula do H. erectus era fortemente constituída de ossos grossos, as proeminências ósseas superciliares eram também maciçamente constituídas, o crânio em geral era de formato esférico e bem reforçado, o esqueleto do H. erectus é muito semelhantes aos do H. sapiens, sendo a principal diferença notável que os restos do H. erectus são mais grossos e maciçamente constituídos, a estatura é muito semelhantes aos dos seres humanos atuais, a perna do H. erectus é muito maior do que nas espécies anteriores, sendo a proporção do comprimento da perna para o braço idêntico ao do H. sapiens e a forma bípede de locomoção era indistinguível do H. sapiens.
      Quanto à possível filogenia do Homo habilis ter dado origem ao H. erectus, não parece provável, pois existe maior probabilidade, devido as características físicas, de uma ligação maior com o Homo rudolfensis, pois os H. habilis viveram na África até mais ou menos 1,44 milhões de anos atrás, significando uma coexistência com o H. erectus por um período de tempo de uns 500 mil anos.
      A taxonomia de H. erectus e H. ergaster é controversa, em resumo é adotado que os primeiros H. erectus que viveram na África seriam classificados como H. ergaster e eles teriam evoluído no H. erectus ao sair do continente Africano. Alguns estudiosos afirmam que existem diferenças importantes entre os fósseis da Ásia e da África, sendo os os mais proeminentes a definir a diferença entre ergaster e erectus, os pesquisadores P. Andrews e B. Madeira, sendo essas diferenças identificadas no crânio, como quilhas sagital (topo do crânio) e solidez do neurocrânio (parte do crânio que cobre e protege o cérebro), a face é encontrada apenas em fósseis de H. erectus asiáticos. B. Wood enumera sete características que os H. ergaster possuíam em comum com H. sapiens e que os distinguiam de erectus, sendo elas um aumento na largura do crânio nos ossos parietais, aumento do comprimento do osso occipital, maiores ossos nasais, maior abertura nasal, redução da base do crânio, maior desenvolvimento da sínfise mandibular e dentes caninos inferiores mais estreitos. Para esses paleoantropólogos, essas evidências sugerem que as amostras da Ásia e África representam espécies distintas, sendo o nome "H. ergaster" criado para representar os fósseis africanos, formalizando essa distinção em nível de espécie. No entanto, outros estudiosos afirmam, que muitos desses traços também são encontrados em alguns fósseis de H. erectus na África, sugerindo que toda a amostra constitui uma única espécie denominada H. erectus.
      Desde o descobrimento do H. erectus, os cientistas questionam se esta espécie era um antepassado direto do H. sapiens, porém como os H. erectus sobreviveram até 50 mil anos atrás, juntamente com os H. sapiens, descarta-se que o H. sapiens tenha evoluído a partir destas últimas populações de H. erectus. Ainda que populações mais antigas de H. erectus asiáticos poderiam ter evoluído ao H. sapiens, hoje se considera mais provável que o H. sapiens tenha evoluído na África,a partir dos H. heidelbergensis ou outro hominídeo que provavelmente evoluí de populações africanas de H. erectus ou H. ergaster. Uma espécie que aparentemente evoluiu do H. erectus é o pequeno Homo floresiensis.
      O H. erectus foi uma das mais bem sucedidas espécies de hominídeos, sobrevivendo por mais de 1,7 milhões de anos, conquistando quase toda a superfície do planeta e gerando um grande número descendentes:
- Homo erectus yuanmouensis: O Homem de Yuanmou é uma subespécie de H. erectus, descoberta através de dois dentes incisivos encontrados próximo ao vilarejo de Danawu no Condado de Yuanmou, na província de Yunnan, sudeste da China. A descoberta ocorreu em 1º de maio de 1965 pelo geologista Fang Qian, que trabalhava para o Geological Mechanics Research Institute. Os restos fósseis foram foi datados em cerca de 1,7 milhão de anos atrás, o que representou, há até pouco tempo, o mais antigo fóssil de ancestral humano achado na China e leste da Ásia. Posteriormente, artefatos de pedra, pedaços de ossos de animais exibindo marcas de trabalho humano e cinzas de fogueiras também foram encontradas nas escavações do local. Os restos fósseis estão em exibição no Museu Natural da China, em Pequim.
- Homo erectus lantianensis: O Homem de Lantian é uma subespécie de H. erectus, descoberta em 1963 e foi descrito por J.K. Woo em 1964. Os restos foram achados no Condado de Lantian, na província de Shaanxi, no noroeste da China. Primeiramente, no Condado de Lantian, foi achada uma mandíbula em Chenjiawo e em seguida, em Gongwangling, foi achado um crânio que incluía os ossos nasais, o maxilar direito e três dentes. Acredita-se que estes fósseis pertenceram a duas mulheres que viveram entre 530 mil e 1,0 milhão de anos atrás, sendo que o crânio é pelo menos uns 400 mil anos mais antigo que a mandíbula. O Homem de Lantian encontrado em Gongwangling é o fóssil mais antigo de um humano que caminhava ereto encontrado no norte da Ásia. Os fósseis estão em exibição no Shaanxi History Museum, em Xian. Sua capacidade cranial é estimada em 780 centímetros cúbicos e é similar a de seu contemporâneo, o Homem de Java, sendo mais antigo que o Homem de Pequim (240.000 a 400.000 a.C.). No mesmo estrato e próximo de seus restos fósseis, foram encontrados objetos talhados, como seixos, além de cinzas, sugerindo que o Homem de Lantian usava ferramentas e conhecia o fogo.
- Homo erectus soloensis: é uma subespécie de H. erectus. O único exemplar conhecido deste anômalo hominídeo foi retirado do sítio arqueológico das margens do Rio Bengawan Solo, no leste da ilha de Java (Indonésia). Os restos fósseis são comumente chamados de Ngandong, em referência ao vilerejo próximo ao local onde foram primeiramente achados. Embora sua morfologia era típica de um H. erectus, sua cultura era extraordinariamente avançada, devido às ferramentas encontradas com o extinto hominídeo e a muitas de suas características anatômicas, foi primeiramente classificado como uma subespécie de H. sapiens (Homo sapiens soloensis, inicialmente denominada javanthropus) e considerado o ancestral do moderno aborígene australiano. Contudo, estudos mais rigorosos concluíram que, enquanto muitas subespécies de H. erectus desapareceram do registro fóssil bruscamente há 400 mil anos atrás, H. e. soloensis persistiu até 50 mil anos atrás na região de Java e foi possivelmente absorvida por uma população local de H. sapiens na época de seu declínio.
- Homo erectus pekinensis (Black, 1927): O Homem de Pequim ou de Beijing, cuja denominação científica original era Sinanthropus pekinensis, é uma subespécie da espécie de H. erectus, que foi descoberto durante escavações nos anos de 1923 a 1927, em um local próximo a Pequim, na China. O material arqueológico encontrado foi datado entre 250 mil a 400 mil anos atrás, mas estudos recentes, descobriram que ele poderia ter vivido até a 800 mil anos atrás.
- Homo erectus palaeojavanicus: é o nome dado a mandíbula grande e vários fragmentos do crânio encontrados em Sangiran, região central de Java. O nome científico original era Meganthropus palaeojavanicus sendo reclassificado a partir de 2005.
- Homo erectus wushanensis: O Homem de Wushan é uma subespécie de H. erectus, descoberta primeiramente em Longgupo, no vilarejo Zhenlongping, Condado de Wushan, província de Chongqing, na China em 1985. O fóssil consiste na parte esquerda da mandíbula, com dois molares e alguns ossos achatados. Em 1986, três dentes anteriores e uma maxila com dois dentes foram desenterradas. Junto destes, foram achados fósseis de animais. Após serem analisados por autoridades de professores, os fósseis foram considerados como pertencentes a uma nova subespécie de Homo erectus. De acordo com os cientistas, o Homem de Wushan viveu há cerca de 2,0 milhões de anos atrás, mais de 300 mil anos antes do Homem de Yuanmou, o que faz do Homem de Wushan o mais antigo homem achado no território da China. Os dentes do Homem de Wushan são mais fortes que os do homem atual e o esqueleto lembra o homem moderno em diversos aspectos.
Para conhecer melhor as outras espécies de hominídeos conhecidas pela ciência, visite a área Evolução Humana.

Dados do Primata:
Nome: Homem ereto
Nome científico: Homo erectus
Época: Pleistoceno
Local onde viveu: África, Europa, Ásia e Oceania.
Peso: Cerca de 70 quilos
Tamanho: 1,7 metros de altura
Alimentação: Onívora

Classificação Científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Superfamília: Hominoidea
Família: Hominidae
Subfamília: Homininae
Gênero:Homo
Espécie:H. erectus, Dubois, 1894)

Referências:
- http://www.becominghuman.org/node/human-lineage-through-time