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Evolução das Tartarugas

    A história das Tartarugas ou Quelônios tem início há aproximadamente 340 milhões de anos atrás durante o período Carbonífero, quando um grupo de répteis da subclasse Anapsida adaptaram-se para viver em pântanos, onde começou a surgir o plastrão e a carapaça típicos dessa família. As tartarugas mais antigas que se conhece viveram há cerca de 200 milhões de anos atrás durante o Triássico superior, já espalhadas pelo supercontinente Pangea. Nos pântanos da Eurásia vivia o Proganochelys quenstedti, que ainda possuía dentes, na Europa a Palaeochersis talampayensis e na América do Sul a Palaeochersis talampayensis.

   Durante o período Jurássico as tartarugas já com o plastrão e a carapaça aderidos às costelas e sem dentes se dividiram em 2 grupos ou subordens, Cryptodira ((tartarugas de água doce, terrestres e marinhas, com retração total do pescoço que se arqueia em forma de “S” para dentro do casco, as marinhas perderam essa habilidade ao longo do tempo) e Pleurodira (retraem o pescoço de forma lateral ao casco), dando início a colonização do planeta. A subordem Pleurodira, comumente conhecidos como cágados, estão restritos ao hemisfério sul, sendo todos os seus representantes atuais de água doce, sendo atualmente constituída por 3 famílias (Pelomedusidae - presente no norte da América do Sul, África Madagascar e Ilhas Seicheles; Podocnemidae e Chelidae - presente na América do Sul, Austrália e Nova Zelândia). A subordem Cryptodira está distribuída por todos os continentes, sendo representada pelas tartarugas marinhas, tartarugas terrestres e tartarugas de água doce.

    O registro mais antigo de tartaruga marinha no mundo é datado de cerca de 110 milhões de anos atrás e foi encontrado no interior do Ceará, no município de Santana do Cariri, Chapada do Araripe, sendo nomeada a espécie de Santanachelys gaffneyi (Hiraya ma, 1998). A análise desta espécie permitiu verificar que as tartarugas marinhas não sofreram muitas modificações desde aquela época até os dias atuais.

    No período Cretáceo as tartarugas marinhas tiveram seu auge, se tornando enormes e se diversificando ao máximo. A maior tartaruga marinha que já existiu foi o Archelon ischyros, que atingia um pouco mais de 4 metros de comprimento (Spotila, 2004). Os registros mais antigos de fósseis de tartarugas no Brasil são do Cretáceo Inferior (Aptiano), na Bacia do Araripe (OLIVEIRA & KELLNER, 2005a; FIELDING et al., 2005) e durante este período já foram encontradas cinco famílias de quelônios, com apenas uma (Podocnemididae) sobrevivendo até os dias atuais. Apenas durante o Cenozóico é que se observam os primeiros registros dos gêneros viventes atuais Podocnemis e Chelus.

    No final do período Cretáceo ocorreu um cataclismo, o mesmo que extinguiu os dinossauros, provocando o declínio de diversas espécies animais e vegetais, incluindo diversas espécies de tartarugas. As tartarugas entretanto, não foram extintas, sendo inclusive um dos animais que menos sofreram com essa extinção. Antes do cataclismo estavam presentes 4 famílias de tartarugas marinhas (Toxochelyidae, Protostegidae, Cheloniidae e Dermochelyidae), sendo que apenas as duas (Cheloniidae e Dermochelyidae) sobreviveram até aos dias de hoje. Também durante o período Cretáceo temos o surgimento de um grupo de tartarugas incríveis, as tartarugas gigantes terrestres de chifres (Meiolanídeas) com as espécies Chubutemys copelloi e Otwayemys cunicularius no supercontinente Gondawana do sul.

nbsp;   Durante o Paleoceno surgiu na Ásia os ancestrais das atuais tartarugas terrestres (testudines), que devido ao seu sucesso evolutivo e a ausência e dos dinossauros dominando o meio terrestre, iniciaram a colonização de diversos ambientes do planeta. No começo do Eoceno, eles já haviam colonizado a América do Norte e Europa se utilizando de interligações terrestres ou pontes de terra, contudo uma nova habilidade no mundo animal se iniciava, a navegação, devido a extrema capacidade de resistir a falta de água e de alimentos durante meses. Esta habilidade foi utilizada por eles para iniciarem o processo de colonização da África atravessando o mar Mediterrâneo.

    A colonização da África foi acelerada quando se formou a ponte de terra com o Oriente Médio, se mantendo pelas duas frentes. Adaptação dessas tartarugas terrestres ao novos ambientes foi fantástica, onde chegavam logo se diversificavam e se tornavam enormes. Diversas espécies de tartarugas gigantes foram descobertas em quase todas as regiões do planeta, sendo em continentes ou ilhas. Ao chegarem a África, o supercontinente Gowndwana da qual ela fazia parte, já estava se desmembrando, não permitindo o acesso via pontes de terra para a América do Sul, Austrália e Antártida. Isso não impediu que elas chegassem a América do Sul, navegando através o Oceano Atlântico. Esses continentes do sul já eram habitados por outras espécies de tartarugas terrestres, as tartarugas gigantes terrestres de chifre (Meiolanídeas), que também estavam se diversificando e aprimorando a mesma habilidade de navegar pelos Oceanos, se expandindo para a maioria das ilhas em torno da Austrália, onde atingiram o auge.

    O gênero Trachemys, ao qual pertencem as tartarugas de aquário mais famosas da atualidade, as Tartarugas de Orelha Vermelha (Trachemys scripta elegans), as Tigres D'água (Trachemys dorbigni), entre outras, são originárias do Mioceno na América do Norte e invadiram a América do Sul após a formação da grande ponte de terra conhecida como América Central no final do Plioceno e início do Pleistoceno. Algumas espécie desse grupo ainda estão se adaptando aos climas tropicais.

    No Pleistoceno as Tartarugas terrestres tiveram o seu auge, ficaram enormes do tamanho de carros, como o Colossochelys atlas. Todos os gêneros e espécies existentes atualmente, surgiram nesse período (entre o Eoceno e o Pleistoceno), há aproximadamente entre 60 e 10 milhões de anos atrás.

    A História evolutiva do gênero Chelonoidis se inicia com uma espécie de origem africana, a qual os estudos genéticos apontam como parentes mais próximos dos Chelonoidis, as Tartarugas terrestres do gênero Kinixys. Elas teriam cruzado o Oceano Atlântico jovem, que era menor naquela época, há aproximadamente 40 milhões de anos atrás, utilizando sua boa capacidade de flutuar, resistência à água salgada e ao fato de aguentarem permanecer sem comida por longos períodos de tempo. As principais evidências apontam para animais que devem ter saído do litoral do Congo e vindo juntamente com a corrente marítima oceânica parar nas costas do nordeste brasileiro. Esses animais tiveram que se adaptar ao meio, dando origem a uma espécie denominada "Chelonoidis ancestor", que ao iniciar a conquista do novo continente, se dividiu em algumas espécies, umas foram para o norte e outras para o sul da América do Sul, durante o Oligoceno entre 38 e 22,5 milhões de anos atrás.

    Formando 3 grandes grupos, sendo 2 existentes atualmente, o grupo carbonaria e o grupo chilensis e um extinto, o grupo das tartarugas gigantes continentais: O Grupo Carbonaria é representado pela Chelonoidis hesterna, que viveu há cerca de 5 milhões de anos atrás na região amazônica. Essa espécie se adaptou a ambientes de florestas densas originando os atuais Jabutis tinga e a ambientes de campos e cerrados dando origem aos atuais Jabutis piranga. O Grupo Chilensis é representado pela Chelonidis gringorum que migrou para a Patagônia Argentina há 20 milhões de anos atrás dando origem as atuais Tartarugas do Chaco (Chelonoidis chilensis), um dos descendentes do Chelonidis gringorum, migrou para o norte entre 12 a 6 milhões de anos atrás, chegando as Ilhas Galápagos entre 5,0 a 1,8 milhões de anos atrás, dando origem as atuais Tartarugas Gigantes de Galápagos (Chelonoidis nigra). Os ancestrais das Tartarugas Gigantes de Galápagos se extinguiram do continente há cerca de 10 mil anos atrás.

    Ao longo dessa evolução, várias modificações permitiram a sobrevivência e adaptação das tartarugas a novos ambientes. O número de vértebras foi-se reduzido, as costelas se fundiram formando uma carapaça de revestimento coriáceo ou córneo. Nas tartarugas marinhas, a carapaça se tornou hidrodinâmica, as patas tornaram-se nadadeiras para auxiliar na locomoção debaixo d’água e uma adaptação importante foi o surgimento de glândulas de sal, localizadas próximo aos olhos, o qual são responsáveis por expelir excesso de sal em forma de lágrimas compostas por uma secreção salina, muito observadas em fêmeas durante a desova (Lutz, 1997).

    Hoje em dia existem pouco mais de 300 espécies, variando muito em tamanhos e em habitats, mostrando que são um dos grupos de espécies animais mais adaptadas a vida no planeta, entretanto se o Homem não parar de destruir e poluir o planeta, as tartarugas não terão um futuro tão prospero quanto os últimos 200 milhões de anos.

Veja na tabela abaixo os animais catalogados desse grupo:

Archelon
Cágado marinho
Jabuti Gigante de Cuba
Palaeotrionyx
Proganochelys
Protostega
Stupendemys
Tartaruga Baleia
Tartaruga Gigante Atlas (Colossochelys)
Tartaruga Gigante da Espanha
Tartaruga de Rodrigues
Tartaruga Gigante de chifres de Lorde Howe (Meiolania)
Tartaruga Gigante de chifres sul americana (Niolamia)
Tartaruga Gigante de Madagascar
Tartaruga Gigante de Madagascar de carapaça plana
Tartaruga Gigante de Maurício
Tartaruga Gigante de Maurício de Carapaça de Sela
Tartaruga Gigante de Pinta
Tartaruga Gigante de Reunião
Tartaruga Gigante de Rodrigues
Tartaruga Gigante do Marrocos
Tartaruga Gigante Norte Americana
Toxochelys

Referências:
- FIELDING, S.; MARTILL, D.M. & NAISH, D., 2005. Solhofen-style soft-tissue preservation in new species of turtle from the Crato Formation (Early Cretaceous, Aptian) of North-east Brazil. Palaeobiology, 48:1301-1310.
- Gerlach, J. 2004 Indian Ocean giant tortoises. Chimaira, Frankfurt.
- Gerlach, J. & Bour, R. 2003 Morphology of hatchling Dipsochelys giant tortoises.
- Gerlach, J. & Canning, L. 1998 Taxonomy of Indian Ocean giant tortoises.
- Li, C; Wu, XC; Rieppel, O; Wang, LT; Zhao, LJ (November 2008). "An ancestral turtle from the Late Triassic of southwestern China". Nature 456 (7221): 497–501. doi:10.1038/nature07533. PMID 19037315.
- M. S. de la Fuente, J. Sterli, I. Maniel, "Origin, Evolution and Biogeographic History of South American Turtles", Springer International Publishing Switzerland, 2014.
- OLIVEIRA, G.R. & KELLNER, A.W.A., 2005a. First occurrence of Araripemys barretoi Price, 1973 in the Crato Member, Santana Formation (Early Cretaceous) Northeastern Brazil. In: CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE PALEONTOLOGIA DE VERTEBRADOS, 2., 2005, Rio de Janeiro. Resumos. Rio de Janeiro: Museu Nacional/UFRJ. p.193.
- Pecor, Keith (2 March 2010). "Testudines". Encyclopedia of Life. Retrieved 26 June 2010.
- Sterli, J.; Pol, D.; Laurin, M. (2013). "Incorporating phylogenetic uncertainty on phylogeny-based palaeontological dating and the timing of turtle diversification". Cladistics 29 (3): 233. doi:10.1111/j.1096-0031.2012.00425.x.
- W. N. WITZELL, "The Origin, Evolution and Demise of the U.S. Sea Turtle Fisheries", 1994.


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