Australopithecus anamensis


      O Australopithecus anamensis cujo nome anam significa "lago" ("Macaco do sul do lago") na língua Turkana, é uma espécie de australopiteco que viveu há aproximadamente 4,2 a 3,9 milhões de anos atrás durante o Plioceno (datados utilizando técnicas de radioisotopos aplicado em sedimentos vulcânicos), na região de Kanapoi e Allia Bay, próximo ao Lago turkana, no atual Norte do Quênia.

      Os 21 fósseis contendo a mandíbula e maxila, fragmentos craniais, as partes superior e inferior do osso da perna (tíbia) foram descobertos em 1994 por Meave Leakey. O Crânio do A. anamensis é representado por fósseis de mandíbulas, maxila, compreendendo o maxilar superior e a maioria da face. A arcada dentária dos A. anamensis possuía o formato de U em contraste com o formato mais parabolico encontrado no A. afarensis e outros hominídeos posteriores.

      Esta espécie é de grande importância, pois apresentam evidencias indiscutíveis de bipedalismo, sendo as mais antigas já comprovadas. A morfologia do crânio apresenta mudanças evolucionárias de transição entre homínideos mais primitivos como Ardipithecus ramidus e mais evoluídos como Australopithecus afarensis.

      O A. anamensis é representado por restos fósseis de crânios, mandíbulas, dentes (com pré-molares e molares com espessura de esmalte do dente parecida com outras espécies do gênero Australopithecus e outros homídios posteriores como os do gênero Homo. Outras características encontradas nos dentes de A. anamensis, entretanto, difere de outras espécies do gênero Australopithecus e são mais parecidas com as encontradas nos macacos atuais. Essas características incluem o tamanho dos dentes frontais das mandíbulas, eles são mais amplos que nos gêneros Australopithecus e Paranthropus, o tamanho e o formato do terceiro pré molar inferior é maior que o dos outros Australopithecus, o formato dos caninos superiores são simétricos, diferindo dos assimétricos dos Australopithecus posteriores e o formato do primeiro molar não se assemelham um molar permanente e sim a um "dente de leite", contrário aos presentes em outros Australopithecus, os caninos menores que os do gênero Ardipithecus, mas esses dentes, especialmente as raízes, são maiores que os dos A. afarensis.

      Os fósseis do membro posterior e membro anterior, incluem partes do punho e da mão, os fósseis da tíbia são de particular importância porque eles demonstram que esta espécie andava sobre duas pernas, tanto do joelho e do final, perto do tornozelo, osso da canela, são endurecidas e a conecção da tíbia ao fêmur, osso da coxa, é maior do que nos macacos vivos. Estas características provam que A. anamensis era um bípede porque indicam que mais peso foi suportado na tíbia, uma característica necessária para o bipedalismo. Além disso, o eixo da tíbia é reto e no final desse osso que se articula com o tornozelo está na posição vertical, em contraste com a angulação encontrados nessas regiões dos macacos atuais. A configuração dessas articulações demonstra que o joelho e o tornozelo foram reorganizados para acomodar um andar bípede. O osso do pulso de A. anamensis sugere que esta espécie tinha capacidade limitada para girar os ossos da mão sobre as do pulso, semelhante ao Australopithecus posteriores e espécies do gênero Homo, diferindo dos macacos atuais. Finalmente, as estimativas de tamanho do corpo sugerem que, em cerca de 46 kg para fêmeas a 55 kg para machos, A. anamensis foi ligeiramente maior do que A. afarensis e A. ramidus, servindo como dimorfismo sexual para a espécie, sendo semelhante ao encontrado em A. afarensis. Seu volume cerebral variava entre 450 a 500 cm³.

      As relações evolutivas entre A. anamensis e A. afarensis tem recebido um grande interesse acadêmico, os fósseis de A. anamensis de Kanapoi são geologicamente mais antigos do que os de Allia Bay e são mais parecidos com A. ramidus e com os macacos atuais. Além disso, a amostra de A. anamensis de Allia Bay é mais parecida com a antiga amostra de A. afarensis fósseis encontradas em Laetoli, Tanzânia, do que para os mais jovens amostra de A. afarensis fósseis de Hadar, na Etiópia. Estes fatos levaram alguns pesquisadores a sugerir que A. anamensis é o ancestral direto do A. afarensis e a seqüência de fósseis de Kanapoi, Allia Bay, Laetoli e Hadar pode ser considerado uma única espécie. As tendências sugerindo que essa seqüência de fósseis representa uma única espécie vêm predominantemente a partir do tamanho e forma do pré-molar mandibular e terço inferior. Para maior clareza e formalizar as diferenças encontradas nesta espécie única, que incluiria os fósseis atualmente atribuídos a A. afarensis e A. anamensis, no entanto, a maioria dos estudiosos continuam a considerar os fósseis como espécies distintas, ou seja, os fósseis de Allia Bay e Kanapoi são referidos como A. anamensis e os fósseis de Laetoli e Hadar são descritos como A. afarensis.

      Em 12 de Abril de 2006 foram descobertos fósseis de A. anamensis no deserto de Afar, na Etiópia, demosntrando que essa espécie habitava uma grande região da África. Os ambientes em que A. anamensis viveu foram reconstruídos como habitats de floresta perto de córregos. Combinado com evidências de outras espécies de hominídeos bípedes supostamente anteriores (por exemplo, A. kadabba, A. Ramidus), estas reconstruções ambientais argumentam fortemente contra a idéia de que uma vez o bipedismo evoluiu e floresceu em ambientes de savana aberta.

Dados do Primata:
Nome:Australopithecus anamensis
Nome Científico:Australopithecus anamensis
Época: Plioceno
Local onde viveu: África
Peso: Cerca de 55 kilogramas
Tamanho: 1,3 metros de altura
Alimentação: Onívora

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Superfamília: Hominoidea
Família: Hominidae
Subfamília: Homininae
Género:Australopithecus
Espécie:A. anamensis, Leakey et al.,1995


Bibliografia consultada:
- http://www.becominghuman.org/node/human-lineage-through-time